Mapografia das Ocupações no Centro de São Paulo

Tendo em vista as ocupações de prédios vazios no centro de São Paulo que ocorrem com frequência crescete nas últimas décadas, a questão da luta por moradia, histórica no Brasil, emerge novamente no cenário urbano. Fica claro que o déficit habitacional não é um problema de espaço mas sim das relações através das quais este espaço pode ser distribuído e ocupado.

O centro de São Paulo passou, nas últimas décadas, por um processo de esvaziamento em função da migração dos capitais que antes lá se localizavam. Tal processo gerou uma grande quantidade de infra-estrutura subutilizada, em estado de espera. As recentes políticas de renovação buscam reconverter esta infra-estrutura ociosa em infra-estrutura rentável, capaz de absorver capitais excedentes. Entretanto, em oposição a esta política de estado corporativista, que opera engendrando o valor de troca da terra urbana, para reocupação do centro, surgem os movimentos organizados por moradia.

Tais movimentos têm se utilizado das ocupações organizadas de prédios vazios como instrumento de luta, capaz de propor um uso diverso daquele proposto pelo estado e pelo mercado imobiliário para esse espaço ocioso. Este novo uso, embasado no valor social da terra urbana, tem como proposição a transformação das relações de poder na cidade. A utilização do espaço, por meio das ocupações, como instrumento de luta, é evidência de que as relações de poder se dão no espaço e através dele. Para compreender um processo que tem o espaço em seu cerne surge a metodologia da mapografia, metodologia capaz de explorar, a partir de novos princípios gráficos e conceituais, as relações que se dão entre objeto e sujeito para transformação do fenômeno urbano.

Para fins de estudo, foi dada uma limitação espacial e temporal dos processos em questão. O espaço restringe-se à area central da cidade, lugar onde o processo de esvaziamento, desvalorização e reocupação se dá de forma mais concentrada e intensa. O tempo inscreve-se nas últimas três décadas, tempo em que o processo de desvalorização atingiu seu clímax e produziu suas antíteses: de um lado, o esforço corporativo-revitalizador do poder público, associado ao capital imobiliário, e, de outro, a tomada de consciência da precariedade habitacional e organização da população encortiçada e periférica na luta pela moradia.

Como síntese de tal movimento, optou-se por 3 temáticas para a formulação mapográfica: a primeira reside na conjunção, possibilitada pelos mapas, entre tempo e espaço, que resultou na cronologia das ocupações; a segunda, ligada às estratégias por meio das quais este movimento se organiza, permitiu desenvolver um mapa destinguindo o objetivo das ocupaçõs – para morar ou apenas para pressionar o poder público – e outro agrupando as ocupações simultâneas; e a terceira temática consistiu no desfecho das ocupações, ressaltando 3 desfechos possíveis – a reintegração de posse, a reforma para transformação do imóvel em moradia popular e a permanência da ocupação.

Luiza Strauss
[Pesquisadora de Iniciação Científica FUPAM/AUH FAU USP]

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